Michelle Bolsonaro acusa Moraes e Gonet de responsabilidade por atraso em atendimento médico

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou ao centro do debate político nesta semana ao fazer duras críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em declaração a jornalistas, ela afirmou que ambos teriam “sangue nas mãos mais uma vez”, numa referência direta ao que considera demora injustificada para autorizar o atendimento hospitalar do ex-presidente Jair Bolsonaro após uma queda ocorrida na cela onde está detido, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
O episódio aconteceu durante a madrugada de terça-feira, 6 de janeiro de 2026. Segundo Michelle, Bolsonaro caiu dentro do quarto onde permanece custodiado e só recebeu autorização para exames mais completos no dia seguinte. Para ela, houve negligência no atendimento e desrespeito aos direitos básicos do marido, especialmente considerando sua idade e o histórico médico já conhecido.
Em tom visivelmente emocionado, Michelle descreveu a situação como angustiante. Disse que Bolsonaro fica confinado em um espaço que só é aberto para a administração de medicamentos e que os cuidados oferecidos no local não seriam suficientes. “Ele é tratado como alguém que não precisa de atenção constante, mas isso não corresponde à realidade”, afirmou.
A expressão “mais uma vez”, usada por Michelle, remete a um episódio anterior que ainda provoca forte reação entre apoiadores do ex-presidente: a morte de Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, em novembro de 2023, na Penitenciária da Papuda. O caso se tornou símbolo de críticas ao STF por aliados de Bolsonaro. Em março de 2025, o deputado Nikolas Ferreira chegou a declarar que o Supremo teria “roubado” Clezão de sua família, frase que ganhou grande repercussão nas redes sociais.
No dia da visita, Michelle tinha horário marcado entre 9h e 9h30 da manhã, mas só conseguiu entrar por volta das 10h. Nesse intervalo, Bolsonaro recebia atendimento inicial após a queda. Ao vê-lo, ela relatou que o ex-presidente estava confuso, sem lembrar exatamente o que havia acontecido, nem quanto tempo teria permanecido desacordado. Também apresentava um hematoma no rosto e sangramento no pé.
Um delegado chegou a autorizar o transporte ao hospital, solicitando inclusive escolta da Polícia Militar. No entanto, já na saída da superintendência, surgiu a exigência de uma petição detalhada da defesa, com avaliação pericial, para que o deslocamento fosse liberado. Esse impasse, segundo Michelle, agravou ainda mais a situação.
O cardiologista Brasil Caiado, médico de Bolsonaro, avaliou o ex-presidente ainda na unidade e percebeu sinais de apatia e lentidão nas respostas, levantando a hipótese de um traumatismo craniano leve. Ele recomendou exames complementares, que só foram autorizados na manhã de quarta-feira, 7 de janeiro, após decisão de Alexandre de Moraes. Bolsonaro foi então levado ao Hospital DF Star para realizar tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma.
Michelle também defendeu que o caso seja investigado com mais profundidade. Ela levantou a possibilidade de relação entre a queda e medicamentos usados desde abril para tratar soluços persistentes ou até um episódio convulsivo. Lembrou ainda que o marido sofre de apneia do sono e já teve um quadro semelhante durante internação anterior, quando passou por cirurgia de hérnia em dezembro de 2025.
Ao comparar a situação com a de Fernando Collor, que obteve prisão domiciliar em 2025 após laudos médicos, Michelle disse não minimizar a condição do ex-presidente alagoano, mas questionou critérios. Para ela, Bolsonaro também reúne condições médicas que justificariam tratamento semelhante. Ao final, reforçou que não há intenção de fuga e que seu único desejo é poder cuidar do marido de forma adequada.





