Brasil pode ser afetado com nova ordem de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira a imposição imediata de uma tarifa adicional de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os EUA por qualquer país que mantenha negócios com a República Islâmica do Irã. A medida, divulgada por meio de sua rede social Truth Social, foi descrita como “final e conclusiva”, representando uma escalada na estratégia de pressão econômica contra Teerã. O anúncio ocorre em um contexto de intensos protestos antigoverno no Irã, que já resultaram em centenas de mortes e repressão violenta por parte das autoridades iranianas, levando Trump a ameaçar inclusive intervenções militares caso a violência contra manifestantes persista.
A tarifa funciona como uma sanção secundária, punindo nações que optam por manter laços comerciais com o Irã, mesmo sob o regime de sanções americanas de longa data. Países como China, Índia, Turquia, Rússia e Emirados Árabes Unidos, principais parceiros comerciais de Teerã, aparecem como os mais diretamente impactados. A medida visa isolar economicamente o governo iraniano, reduzindo sua capacidade de contornar restrições internacionais por meio de intermediários e exportações de petróleo e outros produtos. Especialistas apontam que a falta de definição clara sobre o que constitui “fazer negócios” com o Irã gera incertezas quanto à aplicação prática e possíveis exceções.
O Brasil surge como um dos países potencialmente afetados pela decisão. As relações comerciais bilaterais entre Brasília e Teerã são significativas, especialmente no setor agropecuário, com exportações brasileiras de commodities como soja, milho e açúcar alcançando bilhões de dólares anualmente. Em períodos recentes, o Irã tem figurado entre os principais destinos das vendas agrícolas brasileiras no Oriente Médio, gerando superávits comerciais expressivos para o país sul-americano. A imposição da tarifa poderia elevar os custos de importação de produtos brasileiros nos Estados Unidos, afetando setores exportadores e a competitividade no maior mercado consumidor global.
A política tarifária de Trump reflete uma abordagem mais agressiva em sua segunda administração, combinando ferramentas econômicas com ameaças de força para lidar com adversários geopolíticos. Medidas semelhantes já foram aplicadas em contextos como a compra de petróleo russo por terceiros países, demonstrando o uso recorrente de tarifas secundárias para forçar alinhamentos internacionais. No caso do Irã, a tarifa surge como alternativa ou complemento a opções mais drásticas, como ataques aéreos, enquanto a Casa Branca menciona que a diplomacia ainda permanece como preferência inicial.
Para o Brasil, o impacto dependerá da implementação concreta da medida e de eventuais negociações bilaterais com Washington. O país mantém uma postura de comércio multilateral e participação em blocos como o BRICS — que inclui o próprio Irã —, o que pode complicar decisões de redução drástica de laços com Teerã. Autoridades brasileiras precisarão avaliar o risco de retaliação tarifária em produtos-chave exportados aos EUA, como alimentos e matérias-primas, diante de um volume comercial já elevado com o mercado americano. A situação exige cautela para preservar o equilíbrio entre relações internacionais e interesses econômicos nacionais.
A reação global ao anúncio tem sido de preocupação com os efeitos em cadeia sobre o comércio mundial. Economias interdependentes podem enfrentar aumento de custos, inflação importada e realinhamentos de cadeias de suprimentos. O Irã, por sua vez, enfrenta maior asfixia financeira em meio à crise interna, com protestos que questionam não apenas a repressão, mas também o modelo econômico do regime. A medida de Trump intensifica o dilema para seus parceiros: manter relações com Teerã ou priorizar o acesso irrestrito ao mercado dos Estados Unidos.
Em resumo, a tarifa de 25% representa mais um capítulo na utilização agressiva de instrumentos econômicos por parte da administração Trump para alcançar objetivos de política externa. Para o Brasil e outros países envolvidos, o desafio imediato será quantificar os prejuízos potenciais e buscar estratégias de mitigação, enquanto o mundo observa se essa pressão levará a uma mudança de comportamento em Teerã ou a uma escalada maior de tensões internacionais.





