Caso das crianças ganha novo capítulo após relato do primo de onde eles estiveram

As buscas pelas crianças desaparecidas em Bacabal, no interior do Maranhão, ganharam um novo e delicado capítulo nesta semana. Após receber alta médica, Anderson Kauã, o menino que foi encontrado com vida depois de desaparecer junto dos primos Agatha Isabelly e Allan Michel, passou a participar ativamente das buscas na região onde os três sumiram. A decisão, autorizada pela Justiça, trouxe novas informações às autoridades e reacendeu a esperança — e também o mistério — em torno do caso que já mobiliza o país.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, Anderson deixou o hospital na terça-feira (20) e, pouco tempo depois, acompanhou equipes de busca até o local onde afirma ter estado com os primos. O menino indicou um ponto conhecido como “casa caída”, situado a cerca de 50 metros do rio Mearim, como um dos principais refúgios usados pelas crianças durante o período em que ficaram perdidas na mata. O relato é considerado estratégico para o avanço das investigações.
De acordo com Anderson, o desaparecimento aconteceu após ele e os primos saírem em busca de um pé de maracujá na região. Em determinado momento, um tio percebeu a ausência das crianças, chamou a atenção delas e pediu que voltassem para casa. O pedido, no entanto, não foi obedecido. A partir daí, segundo o relato do menino, o grupo acabou se desorientando e não conseguiu encontrar o caminho de volta.
As informações fornecidas pelo garoto reforçam a linha de investigação de que as crianças permaneceram juntas por pelo menos duas noites. O delegado Ederson Martins afirmou que Anderson contou que o trio usou a “casa caída” como abrigo improvisado. No local, havia uma cadeira e um colchão velhos, o que indica que eles tentaram se proteger da forma que conseguiram. Após isso, ainda teriam se deslocado para perto de uma árvore, onde permaneceram por mais algum tempo.
Um dos trechos mais sensíveis do depoimento diz respeito ao momento em que Anderson decidiu seguir sozinho. Segundo ele, os primos estavam cansados, e a criança resolveu caminhar pela mata sem eles. Essa decisão separou o grupo definitivamente. Anderson acabou sendo encontrado no dia 7 de janeiro, em um matagal a cerca de 4 quilômetros do ponto onde havia desaparecido, enquanto Agatha e Allan seguem sem localização confirmada.
As buscas pelas duas crianças já entram na terceira semana e chegaram, nesta quarta-feira (21), ao 18º dia consecutivo, sem novidades concretas. A operação envolve mais de mil pessoas, incluindo policiais, bombeiros, voluntários, equipes especializadas e moradores da região. A complexidade do terreno, somada à proximidade com o rio e à densa vegetação, dificulta o trabalho das equipes.
Mesmo diante do desgaste físico e emocional, os esforços seguem ininterruptos. A presença de Anderson nas buscas tem sido considerada fundamental, já que cada detalhe do percurso relatado por ele pode ajudar a redefinir as áreas prioritárias. Ao mesmo tempo, o envolvimento do menino exige cautela e acompanhamento constante, diante da carga emocional envolvida no caso.
Enquanto o tempo passa, o desaparecimento de Agatha Isabelly e Allan Michel continua cercado de perguntas sem resposta. A cada novo dia, a expectativa por um desfecho cresce, assim como a angústia da família e da população de Bacabal. O que aconteceu depois que o grupo se separou ainda é um ponto-chave da investigação — e pode ser justamente ali, em algum detalhe aparentemente simples, que esteja a resposta que todos esperam encontrar.





