Nikolas Ferreira rebate críticas de padre: “Falsos profetas”

A troca de declarações entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o padre Ferdinando Mancilio ganhou novo fôlego nesta segunda-feira (2), após o parlamentar divulgar um vídeo em suas redes sociais rebatendo críticas feitas pelo sacerdote à chamada “caminhada pela liberdade”, realizada no mês passado. O episódio, que mistura política, fé e redes sociais, rapidamente se espalhou e voltou a acender debates que já vinham quentes no cenário nacional.
No vídeo, Nikolas adota um tom direto e sem rodeios. Ao comentar as críticas, afirmou que quem não consegue contra-argumentar o conteúdo apresentado por ele estaria em falta “de intelecto, ou Bíblia, ou os dois”. A declaração repercutiu tanto entre apoiadores quanto entre críticos, refletindo a polarização que acompanha o deputado desde o início de seu mandato.
Em outro trecho, Nikolas questiona o silêncio de líderes religiosos progressistas diante de temas que, segundo ele, deveriam gerar a mesma indignação. Ele citou o crime organizado no Brasil e mencionou o regime de Daniel Ortega, na Nicarágua, acusado por organismos internacionais de perseguir padres e freiras. Para o parlamentar, há uma seletividade no discurso de parte do clero quando o assunto envolve política e liberdade religiosa.
O deputado também recorreu a uma frase atribuída ao pregador britânico Charles Spurgeon: “Só os tolos acreditam que política e religião não se discutem. Por isso os ladrões permanecem no poder e os falsos profetas continuam a pregar”. A citação foi usada como argumento para defender que fé e política, goste-se ou não, acabam se cruzando na vida pública.
As críticas iniciais partiram do padre Ferdinando Mancilio, que durante uma missa no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, no dia 25 de janeiro, questionou a legitimidade da mobilização liderada por Nikolas. No sermão, o sacerdote afirmou que não adiantaria marchar até Brasília sem histórico de projetos concretos em favor da população. Segundo ele, discursos sobre defesa da vida e da liberdade esconderiam, na verdade, a busca por poder político.
Embora a fala tenha ocorrido dias antes, o tema ganhou força nas redes sociais no último sábado (31), quando vídeos do momento começaram a circular com mais intensidade. A partir daí, a resposta do deputado era vista como questão de tempo.
A “caminhada pela liberdade” percorreu mais de 200 quilômetros, saindo de Paracatu, em Minas Gerais, até Brasília, no Distrito Federal. Além de Nikolas Ferreira, o ato contou com a presença e o apoio de outros nomes da direita, como os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e André Fernandes (PL-CE), além de prefeitos, vereadores e lideranças locais.
Segundo Nikolas, um dos principais objetivos da peregrinação era chamar atenção para a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. A pauta, naturalmente, dividiu opiniões e reforçou o caráter político do ato.
No último dia da caminhada, um episódio inesperado marcou a mobilização. Durante uma tempestade, cerca de 30 pessoas foram atingidas por um raio e precisaram ser encaminhadas a hospitais da região. Algumas ficaram em estado delicado, mas, apesar do susto, não houve registro de mortes. O fato trouxe um clima de apreensão e interrompeu o encerramento do evento.
Entre discursos, críticas e respostas, o episódio mostra como política e religião seguem entrelaçadas no debate público brasileiro. E, ao que tudo indica, essa conversa ainda está longe de chegar a um ponto final.





