Geral

Após críticas de padre, Nikolas Ferreira se manifesta

O deputado federal Nikolas Ferreira reagiu publicamente às críticas feitas pelo padre Ferdinando Marcílio durante uma missa no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo. O religioso questionou a validade da caminhada realizada por Nikolas entre Minas Gerais e Brasília, associando o ato às posições do parlamentar sobre temas como armas e aborto. A resposta veio em tom duro, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, no qual o deputado afirmou que as acusações carecem de fundamento lógico e teológico.

Na gravação, Nikolas disse que se alguém não consegue rebater as críticas apresentadas pelo padre de forma imediata, o problema não estaria no religioso, mas na falta de reflexão de quem escuta. O parlamentar afirmou que o ataque à caminhada seria resultado da ausência de argumentos consistentes contra o ato em si, que, segundo ele, ocorreu de forma ordeira, pacífica e com caráter religioso. Para Nikolas, a crítica desvia o foco do significado simbólico da mobilização.

A caminhada ganhou ampla repercussão ao longo de uma semana, percorrendo o trajeto entre Minas Gerais e a capital federal. O ato foi encerrado em Brasília com a presença de cerca de 18 mil pessoas, reunidas para um discurso de cunho religioso e político. O deputado se tornou um dos principais pontos de atenção da direita brasileira ao promover a mobilização, que foi interpretada por apoiadores como uma demonstração de fé e engajamento cívico.

Ao comentar diretamente a fala do padre, Nikolas afirmou que há uma confusão deliberada entre objetos e intenções humanas. Segundo ele, armas não seriam, por si só, o mal, mas instrumentos cujo uso depende de quem as manuseia. Em sua argumentação, o deputado usou exemplos bíblicos e comparações históricas para sustentar a tese de que qualquer objeto pode ser usado tanto para o bem quanto para o mal, ressaltando que forças de segurança utilizam armas justamente para proteger inocentes.

O parlamentar também criticou o que chamou de seletividade moral de líderes religiosos progressistas. Ele afirmou nunca ter visto o mesmo nível de indignação diante da atuação do crime organizado no país ou de regimes autoritários que perseguem religiosos em outras partes do mundo. Nikolas citou exemplos internacionais e nacionais para sustentar a ideia de que certos setores preferem criticar manifestações conservadoras enquanto silenciam sobre violações graves de direitos humanos.

Em tom mais político, o deputado disse que há uma tentativa recorrente de acusar a direita de misturar fé e política, ao mesmo tempo em que temas religiosos são utilizados por outros grupos conforme conveniências ideológicas. Para ele, essa postura evidencia uma contradição no discurso de quem afirma defender a neutralidade religiosa no espaço público, mas reage quando manifestações de fé não se alinham às suas posições políticas.

Ao encerrar sua resposta, Nikolas citou uma frase atribuída ao teólogo Charles Spurgeon para reforçar seu argumento de que política e religião sempre estiveram interligadas ao longo da história. Segundo o deputado, ignorar esse vínculo permitiria que maus governantes e falsos líderes se mantivessem no poder sem questionamento. Para ele, o episódio envolvendo o padre e a caminhada acabou servindo mais como ponto de reflexão do que como ataque efetivo ao movimento que liderou.