Mãe e padrasto das crianças desaparecidas em Bacabal são considerados suspeitos; entenda

No dia 4 de janeiro de 2026, um mistério abalou a comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no interior do Maranhão. Os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desapareceram após saírem para brincar em uma área de mata próxima à residência familiar. Acompanhados inicialmente pelo primo Anderson Kauã, de 8 anos, as crianças se perderam em meio à vegetação densa, e apenas o primo foi encontrado dias depois, desidratado e sozinho em uma estrada vicinal. O caso rapidamente mobilizou autoridades e voluntários, transformando-se em uma operação de busca intensa que já dura quase três semanas sem respostas concretas.
A família das crianças, composta pela mãe Clarice Cardoso e pelo padrasto Márcio Silva, reside na zona rural de Bacabal, uma região marcada por comunidades tradicionais e desafios logísticos devido à proximidade com rios e matas fechadas. Os pais relataram que os filhos saíram para brincar por volta das 14h, algo comum na rotina local, mas o alarme só foi dado horas depois. Esse atraso inicial chamou a atenção das autoridades, que começaram a investigar não apenas o paradeiro das crianças, mas também as circunstâncias em torno do sumiço, incluindo o papel dos responsáveis diretos.
De acordo com relatos, no dia do desaparecimento, as crianças teriam se afastado da casa em busca de frutas ou simplesmente para explorar a natureza ao redor. O primo Anderson, resgatado em 7 de janeiro, contou que o grupo se perdeu e passou a noite em uma casa abandonada conhecida como “casa caída”, a cerca de 3,5 km do ponto de partida. Ele afirmou ter deixado os primos no local para buscar ajuda, mas ao retornar, não os encontrou mais. Essa narrativa ajudou a direcionar as buscas, mas levantou questões sobre como as crianças menores sobreviveriam sozinhas em um ambiente hostil.
A demora em comunicar o desaparecimento à polícia foi um dos pontos críticos destacados nas investigações. A mãe e o padrasto alegaram que seguiram orientações de moradores locais para esperar 24 horas antes de acionar as autoridades, acreditando que as crianças poderiam retornar por conta própria. No entanto, essa espera de quase um dia inteiro gerou desconfianças, especialmente em um contexto onde cada hora é crucial para buscas em áreas de risco como matas e rios. Voluntários da comunidade iniciaram procuras informais, mas a intervenção oficial só ocorreu após o registro formal do boletim de ocorrência.
Contradições nos depoimentos do casal foram o estopim para que a Polícia Civil os considerasse suspeitos no inquérito. Clarice e Márcio apresentaram versões divergentes sobre o horário exato da saída das crianças e sobre as ações tomadas imediatamente após notarem a ausência. Esses inconsistências levaram as autoridades a reconduzi-los à delegacia para novos interrogatórios, embora o conteúdo detalhado não tenha sido divulgado publicamente. A polícia enfatiza que nenhuma hipótese está descartada, incluindo a possibilidade de envolvimento familiar ou até mesmo um sequestro.
As buscas, coordenadas por uma força-tarefa envolvendo Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Marinha e voluntários, já cobriram mais de 3.200 km² de mata e rios, com o uso de cães farejadores, drones e embarcações. Os cães indicaram vestígios do cheiro das crianças na casa abandonada e próximo a um rio, sugerindo que elas possam ter sido levadas por água ou por terceiros. O primo Anderson, após receber alta médica, participou das operações, apontando locais percorridos, o que intensificou as ações na região do Rio Mearim. Apesar do esforço de mais de 500 pessoas, nenhum vestígio concreto, como roupas ou pertences, foi localizado até o momento.
Com 19 dias de investigações em andamento, o caso continua envolto em mistério, e a comunidade de Bacabal mantém vigílias e procissões pedindo pelo retorno das crianças. A hipótese de sequestro ganhou força após o encerramento das varreduras na mata sem resultados, direcionando o foco para possíveis embarcações ou saídas da área. Familiares, como o avô materno, expressam crença em um rapto devido à ausência total de pistas, enquanto as autoridades prometem prosseguir até esclarecer o ocorrido, mantendo a esperança de um desfecho positivo em meio à angústia coletiva.





